Sobreiro - um património único


Veado Real Europeu (Cervus elaphus)
Flores do montado, Coruche, Portugal
 	Apesar da cortiça poder ser retirada da árvore de nove em nove anos, são necessários pelo menos 40 anos para um sobreiro se tornar economicamente produtivo.

Portugal exibe um património florestal único, de grande beleza e valor económico, onde o sobreiro, identificado pela WWF como espécie prioritária, se destaca como uma das espécies emblemáticas de Portugal, ocupando 736.700 hectares do território nacional.

Valor ambiental

O sobreiro destaque-se como um dos maiores tesouros naturais de Portugal pela excelência dos serviços ambientais que presta, incluindo a conservação dos solo, a regulação do ciclo da água, a diminuição das emissões de carbono e a conservação da biodiversidade. A exploração da cortiça é um processo ambientalmente sustentável, uma vez que nenhuma árvore é cortada e somente de 9 em 9 anos é realizado o descortiçamento. Em Portugal as florestas em que o sobreiro é dominante são de dois tipos: o montado, um sistema aberto associado a zonas planas e a pastagens naturais, e o sobreiral, bosque mais denso e de serra.

Montado

O montado é o sistema mais característico e dependente da intervenção humana. Pode ser exclusivamente de sobreiro, mas também combinar com pinheiro manso (litoral), ou azinheira (interior). A biodiversidade está, frequentemente, associada à variedade de pastagens, que é extremamente elevada: num mero metro quadrado de terreno é corrente divisarem-se dezenas de espécies de plantas, paralelamente favorece a fixação de uma grande variedade de aves, como a Abetarda, a Águia Imperial, a Águia de Bonelli e o Abutre Negro.

Sobreiral

O sobreiral, por outro lado, é um sistema de bosque, onde cresce uma grande variedade de arbustos mediterrânicos: medronheiro, aroeiras, giestas, retamas, esteva, urze e várias ripícolas. Em termos de rapinas destacam-se o Açor, Gavião, Bufo Real e os Pica-paus. O sobreiral é ainda habitado por Gineto, Gato Bravo e Lince Ibérico, espécies ameaçadas, para além das usuais espécies cinegéticas – Coelho, Lebre e Perdiz, interessantes do ponto de vista da cadeia alimentar.

Valor económico

Anualmente, extraem-se 137 mil toneladas de cortiça ao ano, o que corresponde a cerca de 54% da produção mundial do sector. A maior parte da cortiça transformada em Portugal – 68% na produção de rolhas – é exportada (90%), representando 2,7% das exportações anuais do país. O sector da cortiça engloba 900 empresas transformadoras.

No entanto o valor económico do sobreiro não está exclusivamente associado à cortiça, existindo outros rendimentos gerados pelas florestas de sobreiro (pecuária, caça, mel e cogumelos).

Valor social

Da economia do sobreiro depende uma parte significativa da população Portuguesa: 12 a 14 mil postos de trabalhos fabris directos, 6500 postos de trabalho na extracção florestal e milhares de postos de trabalho indirectos (restauração, turismo, etc).



Montado, Coruche, Portugal



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